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O que aprendi e o que esperar dessas eleições?

Concorrer a um dos cargos eletivos, no meu caso à uma vaga na  Câmara Municipal, nessas eleições foi uma experiência ímpar. Conversar com as pessoas e conhecer de perto os seus problemas e indignações com a Câmara nos faz perceber  a bolha que vivemos e a necessidade de representantes para a cidade, não para apenas uma causa ou apenas uma localidade.

Lafaiete é uma cidade grande, somos a 240° maior cidade do Brasil e temos cerca de 129 mil habitantes (IBGE 2020), mas isso não justifica a regionalização da ação de alguns representantes e nem mesmo o voto justificado pela presença de determinado vereador em seu bairro. Lafaiete possui mais de 100 bairros, sendo que as cadeiras disponíveis para os representantes são apenas 13.  Não possuímos bairros superpopulosos, por exemplo, o Barreiro em Belo Horizonte que possui mais de 300 mil habitantes, e os distritos/bairros distantes raramente elegem um representante para si.

Outra questão latente é a cultura da compra de votos, seja direta ou indireta. Percebi que para grande parte da população votar em você, não se faz necessário você possuir projetos coesos e concisos, mas sim ter feito algo para aquela família ou região. Isso se dá pela falta de conhecimento sobre política, quais as funções do Legislativo e do Executivo, além de ser um costume enraizado na nossa política coronelista que elege sempre os mesmos de uma determinada família dominante.

É preciso ressaltar, no entanto, que houve uma grande renovação da Câmara nessas eleições. A representatividade da população cresceu nos eleitos: subimos de zero negros para três, zero LGBTs para um e de zero jovens para dois, mas mantivemos o número de mulheres eleitas. Melhoramos, mas há mais a fazer.

Em suma, participar desse processo eletivo é uma experiência única da vida que te permite crescer como pessoa, ser humano e cidadão, é uma aula de civilidade, democracia e participação popular. Você conhece a população e os problemas que ela enfrenta, onde o poder público falha, principalmente em bairros distantes como: Gagé, Buarque, São Vicente, Joaquim Murtinho, entre outros.

Espero que, com essa grande renovação da Câmara, renove também a transparência, o acesso à informação e a participação popular. Espero que os vereadores sejam reais representantes de toda a homogeneidade da cidade e não apenas de seletos grupos e determinadas causas. Torço para que haja uma fiscalização efetiva da prefeitura e, principalmente, espero que nossa Lafaiete evolua.

Torço para que os jovens que foram eleitos sejam o início de uma mudança substancial na política da nossa cidade. O que eu tenho certeza é que essas eleições já foram um marco para a juventude lafaietense. Não apenas pelas pessoas que chegaram à Câmara, mas também pelos outros jovens que tiveram uma votação expressiva e pelo engajamento como pode ser visto nas lives do LafaMob.

Quanto a mim, estarei dando continuidade aos projetos que já participava.

meu nome em apreciação me fez crescer muito. Graças a essa experiência, percebo que há muito a ser feito na cidade, mas, felizmente há muita atuação política que o cidadão pode fazer sem um cargo eletivo.

Convido a todos, mas principalmente aos jovens, que se engajem ainda mais na política municipal. Não se interessem apenas na época das eleições, precisamos de uma juventude ativa e atuante na nossa cidade.

Enrico Lopes

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