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O negacionismo mata mais que o vírus, impeachment já!

A necessidade do impeachment do presidente Jair Bolsonaro não é apenas uma perspectiva política, de bipolarização partidária entre a esquerda e a direita. Trata-se de uma questão humanitária, de sobrevivência coletiva. Vivemos na maior república da América Latina e a coisa pública nunca foi uma prioridade do atual desgoverno que também está pouco se lixando para a opinião pública.

O país-continente não consegue mais respirar diante dos atos de negacionismo e indiferença. São mais de 200 mil mortos. O problema do Brasil não se restringe a pandemia. O mais assustador é constatar que gestores públicos nem tentaram elaborar políticas públicas de saúde para conter o avanço do vírus, o que poderia ter evitado milhares de mortes, como ocorreu em Manaus com a falta de cilindros de oxigênio nos hospitais.

O que vivenciamos, com dor e desespero, ficará na história oficial do Brasil. O negacionismo mata mais que o vírus porque oficializa a necropolítica e impõe limites para que universidades e centros de pesquisa possam atuar com autonomia e com direcionamento estratégico para o enfrentamento da Covid-19. Mesmo com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para o uso emergencial das vacinas, é necessário estabelecer acordos para elaboração de um plano de vacinação que seja capaz de atender a população com responsabilidade e seguindo os protocolos da Organização Mundial de Saúde. Após a aprovação, a vacina de uso emergencial não poderá ser comercializada, somente distribuída no sistema público de saúde.

Não podemos resolver um problema negando o problema. É isso que o presidente e seus seguidores fazem a todo momento. Um gestor público indiferente à morte de milhares de brasileiros não pode ocupar o cargo de presidente. De acordo com a plataforma Social Blade, Jair Bolsonaro perdeu mais de 16 mil seguidores no Twitter nos últimos 30 dias. A opinião pública brasileira começa a respirar, a lutar contra o negacionismo para que possamos valorizar a ciência e o espírito público. Einstein nos deixa uma reflexão para combater a indiferença: “O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada.”

Éverlan Stutz é jornalista, mestre em comunicação social, especialista em gestão do patrimônio cultural, bacharel em artes cênicas, poeta e compositor

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