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Frente a ineficácia do Governo Federal, a falta de cooperação entre as cidades mata vidas e a economia da região

Vejamos que a situação em que a Região do Alto Paraopeba se encontra hoje é uma das mais críticas em relação à Covid 19. A questão não se submete a somente uma parte, já que todas cidades da região se encontram em situação vulnerável ao agravamento da doença. A pandemia nunca foi tão intensa quanto nesses dias, cidades batendo recordes de casos quase todos os dias, muitas pessoas morrendo e os leitos estão praticamente em sua capacidade máxima por toda a região. Tudo isso demonstra que o fenômeno que estamos passando se expressa em todos limites dos municípios do Alto Paraopeba. Contudo, as tomadas de decisões dos municípios para resolução de toda a crise é municipalizada, não há sequer uma conformidade nos protocolos adotados pelos municípios. Nesse sentido, por mais que eles sigam o Programa Estadual “Minas Consciente”, as decisões desde o início da pandemia não levam em questão os fluxos pelos quais a nossa região tem por natureza. Quais são estes fluxos? Sabemos que há muitas empresas na nossa região, em que muitos dos seus trabalhadores transitam nas nossas estradas de um lado para o outro. Sabemos também que nossa população é dependente de uma regionalização da própria saúde, da educação, mas principalmente do trabalho. Aliás, os nossos municípios são dependentes deste fluxo, pois, além da parte econômica, nossa população transita na região para a sua própria sobrevivência: por meio do trabalho, da saúde, da educação e até mesmo pelo lazer. 

Neste momento tão difícil, não podemos deixar de levar em consideração este fenômeno regional que temos por característica. O vírus acompanha todo esse ciclo que temos e nos torna vulneráveis não somente pela ineficiência da política de combate ao vírus de “alguns”, mas também pela desconsideração de uma regionalização em que estamos inseridos. Portanto, é necessária uma mudança radical nas políticas municipais de combate ao coronavírus, e elas precisam ser cada vez mais regionalizadas. Faz-se necessária uma cooperação entre as cidades da região na adoção de medidas que sejam uniformes e que sustem não somente o sistema de saúde das cidades, mas também a economia, visto que é visível que a pobreza e a miséria têm crescido no Alto Paraopeba e não podemos deixar que os protocolos e que as políticas sejam tão distintas. 

Até quando continuaremos com políticas locais, sendo que existe todo um ecossistema entre os municípios da região? A falta de medidas mais radicais de isolamento fazem com que fiquemos em um ciclo de picos e baixos. Tudo isso destrói a economia, adoece e mata mais pessoas. Qual a posição em que a AMALPA como uma organização, cujo objetivo é maximizar as ações regionais, possui em relação a pandemia da nossa região? Existe uma articulação entre os poderes públicos e as sociedades civis dos municípios da região para alguma tomada de decisão? A questão que fica é a seguinte: mesmo que o prefeito de qualquer cidade da região tome medidas mais radicais em relação à Covid 19, a cidade sempre vai estar vulnerável à irresponsabilidade do seu vizinho. Os protocolos precisam ser estaduais, municipais, mas não podem deixar de ser regionais. A articulação regional é a nossa grande saída para não nos aprofundarmos em uma crise ainda maior.           

Arthur Henrique Gomes de Souza
Coletivo LafaMob

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