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À beira do abismo

Durou cinco minutos e 20 segundos o espancamento até a morte do brasileiro João Alberto Silveira Freitas, um cidadão negro. Os agressores, agentes de uma empresa de segurança que presta serviços para o supermercado Carrefour.

As imagens desta tragédia rodaram o mundo e abasteceram o mercado da indignação. Há poucos meses de completar 60 anos eu sinto muito e peço desculpa a todos pela reprise infinita deste filme. Juro já ter visto e revisto este filme várias vezes. Principalmente nos Estados Unidos. Milhares de vezes na África onde se vão negros em pencas. De tanto ver meus olhos custam a acreditar. De tanto pensar custo a refletir e de tanto custar é grande a vontade de chorar.

Levei alguns dias para escrever sobre a morte de João Alberto. O corpo já esfriou, a notícia já foi desbagaçada. Já devem estar enfiando outros corpos negros no corredor da morte. Descubro que o mal maior é a sacralização da violência. A minha, a sua, a deles e a violência de todos.

Só teremos algum sossego se for fechado e lacrado o portão escancarado do inferno, cujo guardião é uma besta de chifres tortos e rabo longo. O problema maior é que todos temem o diabo.

Osmir Camilo Gomes
Poeta lafaietense

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