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Feminicídio: Mulher é assassinada por ex-companheiro com facadas

Aline foi vítima de feminicídio
Aline foi vítima de feminicídio

Dizem que toda vez que ocorre um feminicídio morre um pouco de todas mulheres, cada mulher é ferida. Porque isso não é um problema isolado. É um crime estrutural dentro de uma sociedade machista.

Nesta madrugada mais uma mulher foi assassinada. Desta vez em Congonhas, no bairro Belvedere. Mais  três filhos ficaram sem mãe, pais ficaram sem filha. Irmãos e amigos perderam alguém querido. O motivo, se é que existe motivo para matar alguém, é sórdido, mesquinho e covarde: fim de um relacionamento. De onde veio esta máxima masculina de que podem matar uma mulher porque ela não quer mais se relacionar com eles? Desde quando deixar de amar alguém é passaporte para a morte? As mulheres devem desistir de se relacionar com alguém por pensar que se houver um fim vai morrer?

Aline Giovanna Policarpo tinha 37 anos e foi assassinada nesta madrugada. Foram mais de 10 facadas desferidas pelo seu ex-companheiro atingindo braços, pernas, barriga e tórax.  Os filhos estavam em casa.  Ouviram os gritos; um deles teve a dolorosa missão de tentar aplacar a fúria do assassino e tirá-lo de cima da vítima. Warley, o autor, de 38 anos, não aceitava a separação de alguém, que segundo pessoas mais próximas, ele próprio traía e agredia. Relatos apontam que há três semanas ele havia saído de casa e já estaria se relacionando com outra mulher. Porém, na quinta-feira 01/04 foi até a casa de Aline, onde teria argumentado que estaria bêbado e ficaria na residência, sendo negada a sua permanência no local. Na sexta-feira ele retornou. Desta vez, disse que sairia com os filhos menores, chegou a levá-los para o carro. Aproveitando que estava sozinho com a ex-companheira, entrou no quarto dela, e após ouvir que não haveria retorno começou a desferir os golpes de faca. Ouvindo os gritos da mãe, os filhos que aguardavam no carro gritaram pelo irmão mais velho que estava em casa. O agressor, que não sabia da presença do rapaz na casa, foi surpreendido, mas prosseguiu com a ação assassina. A mãe de Aline, uma senhora de 70 anos, que está com dificuldades de locomoção devido a uma queda, também estava na casa e não teve chances de ajudar a filha.

Aline chegou a ser socorrida, mas faleceu no hospital. Antes de morrer pediu para que o filho cuidasse dos irmãos. Disse que amava os filhos.

Num destes gestos incompreensíveis, ao ser preso Warley ainda argumentou que amava a esposa, que queria seu bem. Ele foi preso em flagrante. Por quanto tempo vai permanecer preso é incógnita. Porque as leis existem para serem cumpridas e se fazer justiça. Mas suas brechas permitem a injustiça sob vários argumentos.

Feminicídio

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher. Os motivos mais comuns são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro.

De autoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra Mulher, no dia 9 de março de 2015, foi sancionada a Lei n. 13.104 que, em linhas gerais, prevê o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Assim, o assassinato de mulher por razões de gênero passou a ser incluído entre os tipos de homicídio qualificado. A pena prevista é de reclusão de 12 a 30 anos.

A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado:

I – durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;

II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;

III – na presença de descendente ou de ascendente da vítima.

Denuncie

Mulheres vítimas de violência doméstica e ameaças  podem denunciar através do telefone 180. Se você souber de violência contra mulheres, também pode denunciar.

Serviço
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher em Conselheiro Lafaiete.
Endereço:  Rua Narciso Júnior 384, bairro Campo Alegre – Lafaiete .(Próximo ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais).
Horário de atendimento: 8h30 às 12h e de 14h às 18h30 (segunda a sexta-feira).
Telefone: 3769 – 1227.
Em caso de necessidade de atendimento fora deste horário as mulheres podem recorrer ao 190 (PM) e ao 3769-1200 (Polícia Civil).

 

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