Fato Real
Lafaiete

Músicos de Lafaiete lançam campanha e pedem direito de voltar ao trabalho

Classe se une pelo direito de voltar a trabalhar
Classe se une pelo direito de voltar a trabalhar

Um dos primeiros setores a ter as atividades suspensas com a pandemia de COVID-19, o segmento artístico é dos poucos que não foram autorizados a voltar às atividades até agora em Conselheiro Lafaiete. Bares e restaurantes já podem servir presencialmente aos clientes, mas continuam vetadas até mesmo as apresentações musicais solo, do tipo voz e violão. Boates continuam impedidas de abrir e ainda não são permitidas quaisquer manifestações artísticas.

Campanha

A permanência desta situação indefinidamente esgotou a paciência dos músicos da cidade, que uniram talentos e vozes num apelo coletivo pelo direito de voltar ao trabalho. Lançada nesta quarta-feira (28/10), a “#Por que não Eu?” invadiu as redes sociais e vem alcançando repercussão com diversas manifestações de apoio e solidariedade. O vídeo da campanha, em que vários artistas locais reivindicam o direito de voltar aos palcos, atraiu milhares de curtidas e compartilhamentos.

Um dos idealizadores da iniciativa, o cantor e músico Fred Santos conversou com o Fato Real sobre o objetivo da campanha: “A classe artística foi a primeira a ser afetada pela pandemia e mantivemos o completo isolamento social enquanto foi necessário. Só que vimos tudo voltando gradativamente a funcionar e percebemos que os profissionais da música estavam sendo colocados de lado. Sem sombra de dúvida, a música ao vivo é hoje uma das engrenagens que movimentam a economia da cidade. Lafaiete tem uma vida noturna muito intensa; é uma cidade que exporta música ao vivo e recebe músicos de toda a região, atraindo turistas e diversificando a economia local”.

Tomando cuidado

Fred Santos apresentou argumentos consistentes para rebater a narrativa (a seu ver equivocada) de que ambientes com música ao vivo seriam propícios à propagação do novo coronavírus. Ele observou que nos bares, assim como nas casas de espetáculos, os palcos ficam a relativa distância do público e a aglomeração, se houver, não está diretamente ligada à presença do artista. Além disso, conforme enfatizou Fred Santos, os donos de bares e casas noturnas estão conscientes do risco representado pela pandemia, tanto que limitaram a lotação dos espaços, dispuseram as mesas prudentemente afastadas uma das outras, oferecem acesso à higienização e fazem o distanciamento dos frequentadores, havendo ou não apresentações musicais.

“Tomando-se todos estes cuidados, não há por que não haver música. A gente vê os ônibus cheios e sabe que academias e clubes foram liberados, inclusive com piscinas funcionando. Pode haver troca de fluidos maior do que dentro de uma piscina? Não faz o menor sentido que somente a nossa classe continue parada. Os músicos têm contas a pagar, famílias pra sustentar. Somos uma grande classe profissional. Conforme censo feito recentemente pelo Conselho Municipal de Cultura, existem mais de 200 trabalhadores da música em Lafaiete. Se todos os demais setores voltaram à ativa, porque não o nosso? #Por que não Eu?”

Confira abaixo o vídeo da campanha.

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