Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Gerais

A tragédia de Manaus

O Brasil não é apenas o país da piada pronta, mas, também, o país da tragédia pronta. Há décadas, senão séculos, nos acostumamos com o bafo da morte em nossos cangotes. Aqui e ali, bem pertinho de nós, sempre de prontidão, o anjo da foice: ora sob a forma de acidentes de trânsito, ora sob a forma de assassinatos, ora sob a forma de desabamentos, ora e cada vez mais sob a forma do abandono dos mais pobres à própria sorte.

Tal quadro se repete em cada um dos estados e em grande parte dos mais de 5 mil municípios Brasil afora. Toda vida importa para alguém. Toda morte é lamentada por alguém. Pouco importa as circunstâncias, das mais cruéis e repentinas às mais esperadas e naturais. Mas morrer por falta de um mísero cilindro de oxigênio em um hospital público ultrapassa as raias da realidade.

Nosso sistema de saúde já estava estressado, mesmo antes do covid-19, e o pouco caso com a indicação para manutenção de isolamento social em todo o Brasil está gerando um colapso muito rápido e uma quantidade de ocorrências da doença muito superior à capacidade de atendimento da rede de saúde.

A tragédia em Manaus onde pacientes internados em estado grave por complicações da Covid-19, morrem por causa da falta de cilindros de oxigênio nos hospitais, leva jeito de ter na raiz, além de eventuais crimes, a irresponsabilidade do povo que subestimou o vírus e teimou em se aglomerar no dia a dia e nas festas de final de ano, ao surgimento de uma variante bem mais contagiosa do SARS-CoV-2, tudo isso aliado a precariedade crônica da infraestrutura da saúde pública no pais como um todo.

De todo modo, os novos acontecimentos em Manaus mostram que a guerra será prolongada. Qualquer ilusão de vencê-la no curto prazo é só ilusão mesmo. E a vitória depende de clareza estratégica, firmeza, capacidade operacional e também bom senso.

É preciso também humildade de todos os nossos governantes para reconhecer de forma transparente os erros e, acima de tudo, o fato de que tudo que for feito será pouco diante de uma crise que provoca tanto sofrimento na nossa gente. É hora de mais uma vez dar apoio incondicional aos profissionais de saúde que, nesse momento, são mais importantes que qualquer autoridade.

A tragédia acontecida em Manaus, onde pacientes internados em estado grave por complicações da Covid-19, morrem por causa da falta de cilindros de oxigênio nos hospitais nos mostra que não podemos e não devemos baixar a guarda ainda, que ainda somos impotentes contra esse maldito vírus e essa sensação de impotência, de finitude, de poucas certezas tem, sim, seu lado bom. Porque nos põe no lugar e nos impõe o tamanho que devemos ter. Somos aquilo que a vida nos deixa ser.

Viver é agora, meus caros. Com essa terrível realidade da segunda onda da Covid-19, vamos vivenciar cada pedacinho do que nos resta. Enxergar por cada fresta de janela, falar por todas as telas que restam e amar com mais força o próximo e nossa família.

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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