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A epidemia de violência doméstica no enfrentamento do Covid 19

Brasil é o quinto país onde mais se comete crimes contra as mulheres

Com o isolamento social sendo implementado como a principal forma de contenção ao Covid 19, a violência doméstica contra as mulheres se intensificou durante o período da pandemia. A razão desse aumento se dá, na maioria dos casos, em decorrência de muitas vítimas terem passado a conviver 24 horas por dia com os potenciais agressores.

Estudos recentes mostram que uma significativa parcela de atos violentos ocorrem dentro do ambiente doméstico. A pandemia trouxe para todos uma grande mudança de paradigma. De repente, familiares que mal se viam durante os dias úteis, começaram a conviver 24h sob o mesmo teto. E o fato de ficar em casa, que pode se apresentar como algo positivo e prazeroso para algumas pessoas, para outras,se tornou o cenário perfeito para o agravamento de uma guerra já existente: a violência doméstica contra mulheres.

Dados reais

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que, de março a junho deste ano, 44.413 mulheres denunciaram ter sofrido violência doméstica. Isso corresponde a 364 mulheres abusadas por dia.

Em abril, o país já somava um aumento de quase 40% no número de denúncias se comparado ao mesmo mês de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Todavia, apesar do número de denúncias ter apresentado um salto, as autoridades consideram que exista uma subnotificação dos casos. Isso significa que os dados podem não corresponder a realidade do número de agressões ocorridas todos os dias, que pode ser ainda maior.

Além do medo, que é o fator mais impactante na resistência às denúncias, por parte das mulheres, e que, consequentemente pode influenciar na divergência dos dados em relação à realidade, no atual cenário, em que a convivência contínua se apresenta de forma inevitável, o agressor pode estar constantemente ao lado da vítima, além de uma maior dificuldade em acionar as redes de proteção em decorrência da própria pandemia .

Ouvidoria

Em 21 de maio de 2020, o Conselho Nacional do Ministério Público instituiu a Ouvidoria das Mulheres, que passou a integrar a Ouvidoria Nacional do Ministério Público. O canal recebe as denúncias e encaminha para as redes de proteção disponíveis de forma mais ágil. As vítimas de todo país podem enviar as denúncias para um número de WhastApp – 61 3315 9476 ou para o e-mail [email protected] .

No dia 07 de julho de 2020, foi sancionada a Lei 14.022/20 que dispõe sobre as medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência durante a emergência de saúde pública do Covid 19. De acordo com a lei, as vítimas poderão solicitar quaisquer medidas protetivas de urgência às autoridades competentes por meio de dispositivos de comunicação e atendimento online.

Campanhas
Campanha apoia o combate à violência contra mulheres
Campanha apoia o combate à violência contra mulheres

Diante das dificuldades de denúncias,formas silenciosas de pedir ajuda começam a eclodir, como a campanha “Sinal Vermelho contra a violência doméstica”, em que a mulher faz um “X” vermelho com batom ou outro material e mostra ao atendente de uma farmácia cadastrada, que irá imediatamente acionar a Polícia Militar para socorrê-la.

A internet também tem contribuído para que as denúncias possam ser realizadas com mais facilidade, o site varejista Magazine Luiza possui um botão específico para denúncias de violência contra a mulher dentro do seu aplicativo de compras. O acionamento do botão aumentou 450% em maio desse ano com relação ao ano passado.

Nas redes sociais, circula um vídeo de tutorial de maquiagem fake que na verdade, traz orientações para realização da denúncia. Além de vídeos para encorajar as vítimas contendo mensagens de apoio de mulheres que também passaram pela mesma situação.

Além dos canais e métodos de denúncia citados anteriormente, o número 180 da Central de Atendimento á Mulher, pode ser discado sempre que se sentir ameaçada. O canal de atendimento funciona 24 horas.

Serviço
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Conselheiro Lafaiete.
Endereço: Rua Narciso Júnior 384, bairro Campo Alegre – Lafaiete .(Próximo ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais).
Horário de atendimento: 8h30 às 12h e de 14h às 18h30 (segunda a sexta-feira).
Telefone: 3769 – 1227
Em caso de necessidade de atendimento fora deste horário as mulheres podem recorrer ao 180, 190 (PM) e ao telefone 3769-1200 (Polícia Civil).

Deiviane Souza
Graduanda em jornalismo

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