Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Destaque

Este ano não vai ser igual àquele que passou

“Este ano não vai ser igual àquele que passou”, compôs H. Silva e Paulo Sette na tradicional marchinha “Até Quarta-feira”. Talvez a canção, entoada nos mais diversos Carnavais deste Brasil, seja adequada para o momento.

Em 2020, mesmo com a iminência de uma pandemia no País, o ritual mágico do Ciclo Carnavalesco levou às ruas milhares de foliões. Em 2021 não vamos ter Carnaval. Assim foi decretado. Momento de raro bom senso. Fico aqui pensando com os meus botões: quem pode estar em ritmo de bumbum praticumbum diante de mais de 230 mil mortes no Brasil? Quem pode pensar em sair nas bandas da vida quando sabe que a estatística macabra não para de crescer?

A primeira afirmação correta é justamente dos versos que abrem este texto: definitivamente, este ano não vai ser igual àquele que passou. Mas não vai mesmo. Só que não pelos motivos que os autores imaginaram: “Eu não brinquei, você também não brincou”. Aí está a incorreção: ano passado, quem gosta de Carnaval brincou até não poder mais – e nem imaginava o que aquele vírus que deu as caras ao mundo em finais de 2019 iria fazer a partir de março, transformando o ano de 2020 e esse seu incômodo prolongamento travestido de 2021 em uma interminável Quarta-Feira de Cinzas. A fantasia comprada vai ficar guardada ou pendurada em algum cabide indigente.

A pandemia, o grande assunto do ano, não será tema de entrudos, gozações. A estagnação e a negação do governo com relação ao problema muito menos. Continuaremos, ao menos os com mais juízo, trancados em nossas casas sem direito a desfiles e coberturas especiais. Assim como o futebol foi abandonado pelas torcidas nas arquibancadas, o Carnaval ficou sem seus foliões.

Um dia, bem distante da gente, nossos tataranetos vão estudar nas escolas esse tempo de trevas em que vivemos. Vão se indignar com as mortes, a falta de atenção e o despreparo de um governo que, inexplicavelmente, nos nega vacinas e nos empurra vermicidas e remédios para piolhos sem eficácia alguma para nos curar de um mal devastador.

Apaixonados pelo Carnaval vivem o vazio da ausência, mas carregam consigo a essência da festa: o respeito e a alegria pelo viver. A fantasia deverá ficar guardada até o próximo ano. Esperemos 2022! E, já vacinados, com mais segurança e controle da pandemia, os brasileiros poderão exercer, de forma mais plena, um dos poucos direitos culturais: o direito à folia carnavalesca.

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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