Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Gerais

Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio

O mês de setembro é, desde 2015, o mês que simboliza a prevenção ao suicídio. A campanha “Setembro Amarelo” faz parte de uma série de ações informativas e de prevenção extremamente pertinentes e fundamentais, já que suicídio é atualmente considerado uma questão de saúde pública e enquanto tal precisa ser foco de intervenção de políticas públicas de prevenção, o que envolve profissionais de variadas áreas. Precisamos ampliar o olhar para o contexto social em que têm ocorrido os suicídios e para os sujeitos que atualmente mais têm buscado nesse ato extremo e definitivo um basta para sua dor psíquica intensa sejam eles os adolescentes e idosos.

Fazemos de nossas crianças desde muito pequenas micro empresárias de si mesmas, estimulando cada vez mais cedo formações intelectuais que só se justificarão muito mais tarde. Cobramos desde muito cedo dos adolescentes que se comportem como empreendedores de si, de seu futuro, que sejam bilíngues, trilíngues, poliglotas antes de atingir a maioridade. Que sejam campeões de disputas que muitas vezes não fazem sentido para eles. Nossos jovens (um dos grupos em que mais têm ocorrido suicídios) estão num mundo no qual os indivíduos se sentem muitas vezes abandonados, solitários, em desamparo.

As relações de competitividade e o espírito de “ser empresário de si mesmo” nos faz diariamente nos colocarmos em posição de competidores numa gama infinita de lutas; luta pelo melhor emprego, pela melhor posição no trabalho, pela melhor formação acadêmica, pela melhor forma de atrair um companheiro, pelo melhor desempenho como mulher, homem, mãe etc. Se em nossa sociedade o direito ao choro foi praticamente vetado mesmo aos adultos, se tristeza é geralmente associada à fraqueza e ao fracasso, qual será o destino das angústias dos jovens que ainda não se estabeleceram como pessoas integradas em suas identidades? E qual será o destino do sentimento de desamparo e solidão de nossos idosos?

É preciso entender que choro, sofrimento e angústia fazem parte de nossa história, do que nos constitui, do que nos transforma. Prevenir o suicídio é admitir que refletir sobre este tema é refletir sobre o sentido de nossas vidas, sobre como temos lidado com nossa significação existencial e sobre como nos colocamos frente às nossas angústias. É ainda refletir sobre o quanto nos dispomos a estar, de fato, junto, quando o outro ao nosso lado diz “estou sofrendo”.

É preciso lembrar que tristeza e depressão não são sinônimas. A tristeza é preciso acolher e para a depressão cabe tratamento adequado. E caso alguém ao seu lado manifeste angústia, tente não ter medo de perguntar: “onde dói, como posso te ajudar?”

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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