Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

O discurso de ódio nas redes sociais!

As redes sociais transformaram-se, em poucos anos, nas “ferramentas do civismo” do século XXI. Deram voz às pessoas que, num grande número de casos, apoiadas no anonimato e na proteção que lhes oferece a máquina, se apoderam de um excesso de liberdade.

A liberdade não é nem nunca será excessiva se os seus limites forem respeitados conscientemente. No entanto, e aos nossos olhos, constatamos diariamente que a excessiva liberdade digital revela, de forma viral e fulminante, o lado mais sombrio da mente humana. Basta ter dado uma olhada em algumas postagens absurdas de infelizes debochando das tragédias ocorridas em Brumadinho e no Rio de Janeiro ou até mesmo de pessoas que por ideologia política desejam a morte do hospitalizado Presidente da República.

As redes sociais transformaram-se em ambientes humanos virtuais tristes e agressivos, despudorados, desrespeitadores dos direitos “do outro”, ambientes em que meras opiniões contrárias transformam “o outro” em opositor ou até inimigo. Transforma tudo em campos de batalha polarizados pelo debate à distância, pelos comentários agressivos e violentos, pelos juízos de valor, pelos julgamentos imediatos das correntes de opinião dominantes, são alimentados de forma até quase sádica e doentia. São as emoções que alimentam as redes, logo os conteúdos que despertam emoções fortes, como raiva e ódio, são compartilhados mais facilmente, pois o nosso sistema nervoso é ativado por estímulos emocionais.

E o fenômeno da violência nas redes sociais aumenta a cada dia, o que nos permite concluir que outro fenômeno cresce de forma paralela: o prazer ao ódio e o prazer em senti-lo e disseminá-lo. Sentir o ódio alimenta e autoriza as pessoas a expulsá-lo através da violência e isso para muitos é prazeroso. Incitar ao ódio torna o odioso como um líder e no controle de seguidores que compactuam do mesmo ódio.  Vivemos tempos de “ódiolatria”.

É absolutamente imprescindível que todos entendamos e façamos entender aos nossos filhos e filhas, amigos e amigas, colegas de trabalho, familiares que no ambiente virtual devem prevalecer as regras da vida real. A empatia, a boa educação, o respeito pela opinião do outro, pelo outro e pela sua condição singular, devem ocupar todo o espaço das redes sociais, eliminando convívios virtuais tóxicos, violentos, ofensivos, nocivos e severos, os quais, atualmente, se encontram naturalmente aceites.

O que vemos hoje nas redes sociais é um retrocesso civilizacional, um retrocesso nas conquistas ao nível dos direitos sociais e humanos. É preciso inverter. É urgente decidirmos para onde queremos ir. É preciso saber e aprender a utilizar as redes sociais como um motor civilizacional de informação, convívio e prazer. Nunca o contrário!

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix!