Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

Então é dezembro!

Coluna Vou Falar!

Então é dezembro!

 

No mês de dezembro proliferam os apelos à solidariedade, à confraternização, às adoções de crianças para dar-lhes presentes, a Rede Globo com seus inúmeros apelos, feito com aquela música chata e já batida de: “Hoje é um novo dia…” enfim há uma série de baboseiras que não se vê no dia a dia, durante todo o ano.

Não participo de festas de confraternizações, a não serem aquelas com pessoas muito amigas; amigos de infância e com pessoas que realmente tenho muita afinidade. Posso imaginar as enquetes de jornais, daqui alguns anos, perguntando às pessoas na rua porque dia 25 de dezembro é feriado. Em seguida, um historiador com cara de chato estará explicando como tudo isso começou. Mas como ele é chato, ninguém vai prestar atenção em nada porque todo mundo já está careca de saber que Natal serve para dar e receber presentes. E comer peru, é claro.

Se achar isso meio absurdo, pergunte a qualquer criança com menos de 10 anos sobre o que é o Natal. Aposto que a resposta não seria muito distante disso. É que o símbolo do Natal tornou-se mesmo o Papai Noel. Repare em como ele tem invadido as ruas, as vitrines, as fachadas das casas e dos jardins nos últimos anos. A celebração natalícia do consumo tenta então remendar a desigualdade com campanhas de solidariedade, como se a doação de um carrinho de R$1,99 fosse amenizar o sentimento do menino pobre que sonhou o ano inteiro com um vídeo game que custava quinhentas vezes mais.

Sim, é verdade que o Natal gera renda para muitas famílias. Também é verdade que é o motor de muitas indústrias que dão emprego aos pais das crianças esquecidas pelo “Bom Velhinho” – que na teoria não deveria esquecer-se de ninguém. Mas é fato que o Natal só tem graça para quem tem algum dinheiro para gastar, pois para quem não o tem, não passa mesmo de um momento de extrema exclusão. E o que dizer dos comerciais de televisão que já dizem onde você deverá empregar o seu 13º salário? E das pessoas que se obrigam a ficar com o saldo negativo para suprir os desejos dos filhos e da pressão comercial que gira em torno da data?

Mas, o Natal é também solidariedade e generosidade, então vamos fazer como disse o cara do comercial da TV e torrar nosso 13º salário em presentes legais para as pessoas que amamos (só para não pegar mal). E para não pesar a consciência, vamos doar um brinquedo made in china aos pobres. Poderia dizer que um dia alguém veio a Terra para ensinar que doação é repartir aquilo que temos de melhor com o outro. Doar as sobras não iria condizer com os seus ensinamentos… Mas, quem iria se importar com esse cara? Ninguém nem mesmo sabe quem foi ele…

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix