Fato Real
Regional

Médica relata situação que idosos vivem em asilo de Piranga

Jornalismo da rádio Carijós e do Fato Real fazem cobertura regional sobre a pandemia

 

Em edição apresentada nesta sexta-feira (05/06), o “Jornal Falado Carijós” levou ao ar entrevista concedida pela médica Gleyce Elisabeth Valadares, que atuou por dois anos e oito meses na casa de repouso Lar de São José, em Piranga, cuja diretoria foi afastada por força de decisão judicial depois que duas moradoras faleceram em decorrência da COVID-19. A profissional, que trabalhou no local como servidora do Programa Saúde da Família, disse que, tão logo soube do surto do novo coronavírus, se prontificou a retornar ao asilo para ajudar os pacientes: “Trabalhei lá desde 2017 até meados do ano passado. Sempre mantive uma relação direta com os funcionários, mas não com o gestor. Eram poucos funcionários pra cuidar de muita gente. O asilo deveria ter um médico responsável; mas, como não tinha, me coloquei à disposição e as enfermeiras tinham liberdade pra me telefonar sempre que precisassem. Voltei a manter contato agora porque conheço a maioria dos pacientes e construí um bom relacionamento com os funcionários”.

Lar de São José/Arquivo

Na entrevista, a Dra Gleyce relatou como encontrou os idosos ao retornar ao Lar de São José: “Ali vivem idosos carentes de absolutamente tudo. Chuveiros funcionavam apenas dois por ala e só os que tinham aquecimento solar. Os elétricos não eram usados para não aumentar a conta de luz. Vi sete moradores ocupando um mesmo quarto. Eram 73 idosos morando no lar, mas não havia 73 copos; portanto, não tinham copos individuais. Todo mundo estava fazendo as refeições junto mesmo depois da confirmação de uma funcionária contaminada. Pelo menos que eu pudesse ver, nenhuma medida preventiva tinha sido tomada. Dos cerca de 70 moradores, cerca de 20 são totalmente dependentes e não conseguem sequer sair da cama”.

Agora, como ressalta a médica Gleyce Elisabeth Valadares, o comitê gestor nomeado pela Justiça corre contra o tempo para amenizar a crise: “Até agora, estava confirmada a existência de um surto do novo coronavírus na ala feminina. Mas isso também mudou porque já temos um paciente da ala masculina com os sintomas da COVID-19. A Prefeitura interveio esta semana e estamos tentando impedir que mais pessoas se contaminem. Temos um período de 14 dias pela frente em que pessoas que já possam estar contaminadas irão manifestar os sintomas. Estudos comprovam que, quando idosos chegam a precisar de internação, só metade deles sobrevive. No dia em que retornei ao Lar, os moradores sequer estavam usando máscara, apesar de continuarem circulando livremente pela instituição. Estamos tentando manter todo mundo de máscara, embora seja um desafio porque eles têm variadas enfermidades mentais e físicas e não entendem o porquê de serem obrigados a se proteger. Mas como combater a doença em um prédio onde muitos banheiros não têm água, sendo que a principal recomendação é lavar as mãos?”

A equipe do JFC entrou em contato com Silvério Felisberto Filho, que era o diretor do Lar de São José até à intervenção judicial. Ele optou por não gravar entrevista e disse que vai recorrer da decisão que o afastou das funções.

Confira no link abaixo as declarações da me´dica sobre a situação encontrada no asilo de Piranga.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!