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Política

Lideranças regionais criticam proposta de extinção de pequenos municípios

Queluzito tem menos de 5 mil habitantes

A proposta da equipe econômica do Governo Bolsonaro que prevê a extinção das cidades brasileiras com população inferior a cinco mil habitantes está deixando apreensivos os prefeitos consorciados à AMALPA (Associação de Municípios da Microrregião do Alto Paraopeba). Este sentimento foi expressado na última reunião mensal da entidade no final de 2019.  Atual presidente da AMALPA e prefeito de Queluzito, Célio Pereira de Souza – o Celinho – disse que está buscando o apoio dos parlamentares federais votados na região para evitar que a proposta ganhe força: “Já contamos com o apoio do deputado estadual Glaycon Franco e esperamos merecer a compreensão dos senadores e deputados federais mineiros. O processo de extinção de municípios significa um retrocesso para nossa região e o Brasil, pois é nestas cidades que as políticas públicas beneficiam, de fato, os menos favorecidos. Se querem reduzir custos, querem cortar gastos, querem economizar, que comecem por Brasília”, declarou Celinho.

O protesto do prefeito de Queluzito e presidente da AMALPA foi acompanhado por outros gestores filiados à entidade. Para Hélio Campos, prefeito de Ouro Branco, a intenção do Governo Federal não faz sentido: “Se não fossem as gestões dos prefeitos de cidades como Queluzito e Casa Grande, só pra citar dois exemplos, haveria dificuldades ainda maiores. Durante todo o ano de 2018, enfrentamos atrasos no repasse de recursos que eram obrigação do governo do estado. Não fosse o empenho destes pequenos municípios, que administraram suas cidades quase sem recursos, a situação financeira estaria ainda pior, com atraso de salários e escassez de dinheiro em circulação”.

Dep. Glaycon Franco

Na opinião do deputado estadual Glaycon Franco (PV), a intenção da equipe econômica de acabar com os municípios de pequeno porte é descabida e não avançará no Congresso Nacional: “O projeto precisa ser votado pelos deputados e senadores e, pelo que tenho conversado com os parlamentares federais, ele não vai conseguir o apoio necessário. Pra mim, este é um projeto totalmente esdrúxulo e equivocado”.

Glaycon rebateu o argumento da área econômica de que a manutenção das pequenas cidades é dispendiosa. Conforme salientou o deputado, o governo federal é que impõe obrigações impagáveis às cidades Brasileiras: “Nós sabemos que o que eles dizem é uma injustiça, pois o que tem acontecido ao longo dos últimos anos é justamente o contrário: quem tem dado suporte aos cidadãos e trabalhado em prol da população são os municípios; o que os estados e o Governo Federal têm feito é impor mais obrigações sem colocar recursos para que os prefeitos, vereadores e servidores municipais tenham condições de executá-las. A grande verdade é que os prefeitos e as Câmaras Municipais, exercitando o espírito público e usando de criatividade, vêm conseguindo, mesmo com os repasses cada vez menores, manter os compromissos em dia e resolver os graves problemas que afetam a população, principalmente nas áreas de saúde e educação”, afirmou o deputado.

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