Fato Real
Lafaiete

Fabricante ressalta confiabilidade de cerveja artesanal produzida em Lafaiete

Consumidor deve ficar atento aos lotes contaminados

Desde a virada do ano os mineiros vêm acompanhando com apreensão e surpresa o noticiário em torno da cervejaria Backer, uma das mais respeitadas fabricantes de bebidas artesanais do país, sediada na capital mineira. Diversas pessoas foram hospitalizadas com graves distúrbios renais e neurológicos, manifestações de uma doença desconhecida que os médicos convencionaram descrever como Síndrome Nefroneural. Dias antes de manifestar os primeiros sintomas, todas haviam consumido a cerveja Belorizontina, um dos principais produtos fabricados pela Backer. Por causa da doença, três pessoas vieram a óbito e uma quarta morte está sendo investigada.

Investigações preliminares apontam, como causadora da síndrome, a contaminação da cerveja, ainda na linha de produção, por dietilenoglicol, composto químico anticongelante usado nas serpentinas industriais. A cervejaria nega a utilização da substância no processo de fabricação. Muitos estabelecimentos comerciais, por iniciativa própria, se adiantaram às recomendações sanitárias e estão fazendo o recolhimento da bebida, que já não é encontrada nas prateleiras da maioria dos supermercados de Conselheiro Lafaiete.

Produção local

Para mestre cervejeiro o momento é delicado e exige ética e solidariedade às vítimas

A fabricação de cervejas artesanais é um dos segmentos que mais se expandiram nos últimos anos. Conselheiro Lafaiete é a cidade da região onde este crescimento se verificou com maior força, notadamente pelo surgimento de marcas que logo se consolidaram como sinônimos de qualidade e confiabilidade. Dentre estes fabricantes, destaca-se a Mar d’Morros, pioneira na produção de cerveja artesanal.

O Fato Real conversou com Johnny Oliveira, mestre cervejeiro e sócio fundador da Mar d’Morros, que fez questão de se solidarizar com as vítimas do trágico incidente protagonizado pela cervejaria Backer: “Antes de tudo, queremos nos solidarizar com as vítimas e suas famílias, afirmando nosso desejo de que as pessoas hospitalizadas venham a se restabelecer totalmente. O que ocorreu foi, de fato, uma tragédia, mas torcemos para que tudo se esclareça e seja apurado o mais rápido possível. Porém, como produtor, avalio que, apesar de trágico, este episódio contribuirá para a evolução normativa e de controle de qualidade e fiscalização não apenas das cervejarias, como também do setor alimentício nacional”.

Johnny Oliveira tranquilizou os consumidores locais assegurando a lisura da cadeia produtiva da Mar d’Morros, atestada por rigorosos padrões de qualidade: “Fomos procurados por amigos, clientes e parceiros preocupados em saber se utilizamos a substância dietilenoglicol, que é normalmente usada na indústria automotiva. Particularmente, desconheço seu uso pelas indústrias de alimentos, especialmente nas cervejarias. Nós nuca utilizamos a substância em questão. Em todas as suas etapas, nosso processo industrial envolve, única e exclusivamente, substâncias de grau alimentício que não provocam qualquer dano à saúde humana”, afiançou o mestre cervejeiro e sócio fundador da cervejaria Mar d’Morros, que prega neste momento que a ética e o respeito sejam praticados, enquanto tudo não seja esclarecido pelas autoridades.

 Recolhimento

Em Lafaiete consumidores que ainda tenham a Belorizontina em casa podem entregar as garrafas diretamente na sede da Vigilância Sanitária, que funciona no segundo andar do prédio do antigo fórum, situado à praça Barão de Queluz s/n. O atendimento ao público ocorre de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, e quem quiser esclarecimentos detalhados pode telefonar para 3769-2540.

A Secretaria Municipal de Saúde de  Congonhas também está recolhendo garrafas da cerveja Belorizontina, pertencentes aos lotes L1 1348 e L2 1348. A população pode entregar o conteúdo na Vigilância Sanitária, localizada à av. JK, 230, Centro. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h. Uma equipe da unidade está recolhendo os produtos nos estabelecimentos comerciais. O material ficará sob custódia da Secretaria Municipal de Saúde.

 

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