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Lafaiete Polícia

Delegado orienta sobre como agir diante do desaparecimento de pessoas

Familiares de pessoas desaparecidas exibem imagens dos seus entes queridos. Fotos: Reinaldo Canato/CICV

O desaparecimento de pessoas é um fenômeno que tem aumentado consideravelmente em Conselheiro Lafaiete e região. Somente na última semana houve, pelo menos, três episódios em que as famílias pediram a ajuda da sociedade, através da imprensa e das redes sociais, para encontrar parentes que, de uma hora para outra, simplesmente sumiram sem deixar pistas. Felizmente, como acontece na grande maioria dos casos como estes todos foram encontrados sãos e salvos. Os motivos que os levaram a decidir sair de casa sem dar satisfações, caso tenham sido esclarecidos, não foram tornados públicos pelas famílias.

Diante de tantos registros de desaparecimentos, procuramos o delegado da Polícia Civil de Conselheiro Lafaiete, Marcos Vinícius Vieira Rodrigues, que detalhou a conduta adotada pela polícia ao ser comunicada de uma ocorrência de desaparecimento e dá algumas orientações.

Quebra de rotina

“O desaparecimento pressupõe uma quebra da rotina. A partir do momento em que se percebe a ausência de um familiar ou amigo, sendo algo que fuja à normalidade, surge a preocupação de ter ocorrido um desaparecimento. Quando há o registro nós damos início imediatamente à investigação, que se estenderá até o momento em que a pessoa for localizada ou que seja identificada a ocorrência de um crime. Em caso da confirmação de crime, a apuração será aprofundada pelos órgãos competentes no âmbito da própria Polícia Civil”, diz.

Divulgação precipitada

Nos casos mais recentes ocorridos em Lafaiete, familiares divulgaram rapidamente os desaparecimentos. O delegado recomendou que as pessoas não deem publicidade imediata ao desaparecimento. Primeiro, é preciso esgotar as tentativas de localizar a pessoa ausente: “Antes que seja feito o registro da ocorrência e a ampla publicação do desaparecimento nas redes sociais, é importante verificar se a pessoa não se encontra em seu local de trabalho fazendo alguma atividade extraordinária ou se não poderia estar na casa de amigos. É prudente esperar um pouco pra ver se ela não responde às mensagens no celular ou atenda a alguma ligação telefônica. Por outro lado, não é verdade que seja preciso esperar o prazo específico de 24 horas para registrar o desaparecimento; ao contrário, a notificação deve ser feita de imediato. Contudo, é importante que a família se preocupe em verificar as possibilidades citadas anteriormente para que não seja dada publicidade indevida despertando uma ação desnecessária, tanto da sociedade, como da própria polícia, num caso que, depois, não irá se configurar como desaparecimento”.

Detalhes

Diante da falta de notícias, o registro do desaparecimento deve ser formalizado por um membro da família ou alguém próximo que esteja em condições de informar as características da pessoa desaparecida, como estava vestida na última vez em que foi vista e alguma particularidade que possa facilitar sua identificação onde quer que esteja: “É muito importante que, no ato do registro, a pessoa que solicitar a investigação leve uma foto recente da pessoa desaparecida, pois isso ajudará na sua localização. Também é fundamental fornecer pormenores de seu comportamento no dia a dia e da sua rotina de trabalho, o que favorecerá muito o avanço da investigação. Se a pessoa estiver sendo levada contra a vontade do lugar onde vive, os instantes iniciais da investigação são cruciais para conseguirmos interceptar o autor da tentativa de sequestro”, disse o delegado Marcos Vinícius Vieira Rodrigues.

Redes sociais

Marcos Vinícius Vieira disse que a mobilização das redes sociais em casos de desaparecimento é positiva, embora apresente alguns inconvenientes: “A investigação pode ser afetada por alguns complicadores, como a excessiva interferência de pessoas e informações inverídicas. Em casos de grande comoção social, chega um grande número de denúncias que ensejam a mobilização de agentes e viaturas da Polícia Civil em diligências infrutíferas. A gente não consegue filtrar, entre estas informações inócuas, aquelas que foram dadas de boa fé e outras repassadas apenas para prejudicar o andamento das averiguações. De qualquer forma, são pequenos prejuízos que não diminuem a importância assumida pelas redes sociais como grande ferramenta mobilizadora”.

Para comunicar um desaparecimento nem é preciso ir imediatamente à delegacia. Num primeiro momento, a ocorrência pode ser notificada virtualmente neste endereço. Em Conselheiro Lafaiete os telefones disponíveis são os da PM (190) e da Polícia Civil (3769-1200)

Motivos

A maior parte dos desaparecimentos ocorre de forma voluntária.  O desaparecimento é considerado multicausal e pode ser:

  • Voluntário – Quando a pessoa se afasta por vontade própria e sem avisar, o que pode acontecer por diversos motivos: desentendimento, medo, aflição, choque de visões, planos de vida diferentes.
  • Involuntário – Quando a pessoa é afastada do cotidiano por um evento sobre o qual não tem controle, como um acidente, um problema de saúde, um desastre natural.
  • Forçado – Quando outras pessoas provocam o afastamento, sem a concordância da pessoa. Como um sequestro ou a ação do próprio estado.

 

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