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Cultura

Moradores do Pequeri usam arte do grafite para denunciar crimes ambientais

 

Toda forma de arte é bem vinda na cidade, no bairro, na rua onde se mora, ainda que como instrumento de protesto. Foi com este espírito que moradores da localidade de Pequeri, em Congonhas, viram no último fim de semana surgir a pintura em grafite de um dos muros da comunidade. O trabalho artístico é uma alusão ao descaso dos grandes empresários e das autoridades governamentais diante das tragédias ambientais e da perda de vidas decorrentes da ganância desmedida e da falta de amor ao próximo.

A ação foi coordenada pela ACOPPE (Associação Comunitária do Povoado do Pequeri). O objetivo, segundo o presidente da entidade, Marcone Souza Alvarenga, foi o despertar de consciências. A ideia é estimular a participação popular e, deste modo, somar forças pela construção de um modelo mais justo e eficiente de aproveitamento dos recursos naturais para que tragédias como as de Brumadinho e Mariana não se repitam.

O mural

 

Joana, Rafael e Marcone

O mural foi realizado pelos artistas da capital Rafael Bertolacine e Joana Ziller. Para eles o mural representa os crimes ambientais acontecidos no estado de Minas Gerais, sendo retratada a questão da vida, da morte e dos grupos exacerbados que as mineradoras possuem e dão mais valor pelas finanças do que a própria vida das pessoas que moram nas cidades ou em regiões ribeirinhas. “Na imagem retratamos um rio com lama, já sem vida e ele sendo minerado na forma antiga onde tem um empresário fazendo está mineração de forma antiga com a bateia e acha um peixe morto com uma máscara de oxigênio e um relógio, provavelmente de alguém que estava dentro deste rio. A sua mão de capitão gancho é uma referencia lúdica aos ladrões de antigamente, que seriam os piratas e ao lado o sino que serve para alertar sobre o rompimento de uma barragem, sendo apenas um aviso e que estará enterrado no mar de lama assim como as pessoas. A mulher peneirando o rio de lama mostra que dentro da cabeça dela sai vida e que as pessoas que ficam continuam precisando viver e renovar-se, precisando peneirar aquele rio tentando limpar tudo que fica daquilo ali e apesar de tudo, elas continuam com muita vida, então é para lembrar-se destas pessoas também, não só dos mortos, mas dos vivos que ficam depois que a lama escorre”.

O grafite foi definido por Marcone Alvarenga como pedra fundamental do projeto “Vida às Ruas”, cujo propósito é a transformação do Pequeri num dos bairros mais bonitos e organizados de Congonhas, partindo de ações simples, como pintura de muros, plantio de flores e árvores, confecção e instalação de lixeiras, além da revitalização de espaços públicos.

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