Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

Violência contra a mulher: Denuncie! Você não está sozinha!

Violência contra a mulher: Denuncie! Você não está sozinha!

O triste caso do médium tarado de Goiás, que domina o noticiário do momento, diz mais sobre a natureza humana que sobre os pecados dele, ainda que sejam indubitavelmente muitos. É da natureza humana que a pulsão sexual por vezes seja forte ao ponto de fazer perder a cabeça. E é da natureza humana, tanto num quanto noutro sexo, que, quando se faz uma coisa errada uma vez e nada de prejudicial aconteça, imediatamente que se repita inúmeras vezes, cada vez mais confiante de que jamais se terá problema algum em decorrência daquilo, mesmo quando a própria lei das probabilidades indique que a chance de ser pego aumente exponencialmente com o passar do tempo e das vezes que se comete o crime. Juntando as duas fraquezas, temos a receita do desastre. E foi o caso.

Em alguns aspectos, o caso é semelhante aos muitíssimos casos de padres, pastores protestantes e rabinos que abusaram de seus discípulos espirituais. Vemos nele a mesma violação de uma confiança quase absoluta colocada por alguém que vê naquela pessoa um representante da Divindade, efetuada em benefício das mais baixas paixões do homem. A sociedade identifica a gravidade da violência apenas quando ela é praticada de modo ostensivo ou chocante. Infelizmente, precisamos nos apropriar desses desastrosos momentos para debater o tema.

Homens e mulheres enfrentam a violência; diferenciam-se porque homens geralmente se envolvem em conflitos em relação ao trabalho ou ao crime em geral. E as mulheres estão sujeitas à violência doméstica, familiar e sexual. Isso decorre de uma cultura que estabeleceu a desigualdade de tratamento e de poder entre homens e mulheres. Para se ter a dimensão desse fenômeno, uma pesquisa divulgada em maio de 2017 pelo Instituto Datafolha mostrou que 40% das brasileiras acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui receber comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), sofrer assédio físico em transporte público (5,2 milhões) e ou ser beijada ou agarrada sem consentimento (2,2 milhões de mulheres).

Em Conselheiro Lafaiete especificamente ocorreu um aumento no número de estupros totalizando 36 casos até o momento este ano. Com esse cenário de constantes violações de direitos e das liberdades individuais perpetradas em sua maioria contra mulheres e o público infanto-juvenil, faz-se necessária a intervenção estatal, que deve não apenas fiscalizar, investigar, coagir e punir aqueles que realizam quaisquer ofensivas de cunho sexual, mas também amparar e dar a assistência necessária para a recuperação e reinserção social das vítimas.

Não raras vezes, as mulheres se sentem culpadas, isto é, questionam se suas atitudes foram adequadas, provocadoras ou insinuadoras, o que é um absurdo. Trata-se da culpabilização da vítima que se acrescenta ao sofrimento da mulher assediada ou abusada.

Por fim é preciso dizer e repetir que as mulheres merecem respeito e dignidade. São trabalhadoras, mães, esposas, companheiras, donas de casa, e tantas outras funções que na vida moderna acumulam, e não merecem ser tratadas com brutalidade, ignorância, violência ou opressão. Sem esquecer de conclamar as mulheres que forem vítimas de qualquer tipo de violência que nunca deixem de denunciar o agressor.

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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