Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

Ser jovem

Depois de certa idade, a gente começa a pensar em como seria bom se pudéssemos voltar à juventude novamente. ”Que época boa”, vivemos repetindo. E era mesmo. Porém, ser jovem hoje, num mundo tão competitivo e individualista, não é das tarefas mais fáceis. Eles sofrem pressões e exigências que não eram tão sentidas no passado, como, por exemplo, ter que ser o melhor em tudo, ser bem-sucedido ainda muito jovem, mostrar-se sempre feliz e realizado nas redes sociais, ter uma carreira profissional brilhante e, o que é quase impossível: estar com todo este check-list completo antes dos 30 anos de idade.

Nós subíamos degrau por degrau na vida profissional, e ninguém nos cobrava por isso. Tínhamos tempo para atingir os objetivos que traçávamos para nosso futuro e, no caso de nada sair como o planejado, recomeçávamos sem tantas cobranças e imposições.

“O jovem de hoje precisa conviver também com questões difíceis de lidar e que geram muita ansiedade e insegurança, como a falta de limites na vida familiar, a ausência dos pais, o bullying e a terceirização da educação, que deveria vir de casa”. Não é fácil. Vivemos num mundo onde tudo é tecnológico, de entregas rápidas, de soluções imediatas, onde as relações são virtuais e não mais pessoais. Neste mundo não há espaço para a espera e para o amadurecimento. Isso vai moldar a personalidade do jovem, podendo levá-lo a diversos conflitos internos que se exteriorizam em forma de rebeldia, agressividade, vícios em drogas e/ou jogos, consumismo e ou radicalidade.

Diante disso, qual seria o papel do jovem nos dias de hoje, no contexto de uma sociedade marcada e ferida pela horrenda criminalidade, pelos genocídios, pelas drogas, pela corrupção, etc. permeada pela histórica e aviltante desigualdade de oportunidades que impera em nosso país? Podemos afirmar que a juventude de hoje está se configurando como herdeira das intempéries sociais e das suas incontáveis contradições. Há, contudo, germens de esperança: no coração da moçada lateja o agente revolucionário que pode sacar o ‘s’ da crise (crie), e convertê-la em fonte de inspiração e de oportunidade para realizar utopias e sonhos.

Se o jovem não está bem consigo mesmo e sente um vazio que nem ele próprio consegue entender, é muito comum que acabe desenvolvendo algum tipo de compulsão. E como mudar isso? Os jovens, mais do que nunca, precisam ter solidez de valores, compartilharem da experiência dos mais velhos, desfrutar de boa estrutura familiar, mesmo que eles, com toda ‘sabedoria’ da juventude, achem isso tudo muito ultrapassado. Essa base familiar com certeza os ajudará a serem mais equilibrados, reconhecendo seu espaço no mundo e as possibilidades de futuro, diminuindo assim o grau de ansiedade e insegurança que sentem hoje.

Para concluir, parece-me oportuno lembrar Augusto Cury que certa vez escreveu: “A juventude de todo o mundo está a perder a capacidade de sonhar. Os jovens têm muitos desejos, mas poucos sonhos. Os desejos não resistem às dificuldades da vida, já os sonhos, são projetos de vida, sobrevivem ao caos”.

Quem tem ouvidos, ouça! (ou: quem tem olhos, veja!).

Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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