Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

Natal não é mais o mesmo!

Coluna Vou  Falar

Natal não é mais o mesmo!

Quantas vezes já ouvimos esta afirmação, principalmente dos pais e avós. Mas o que mudou na celebração do Natal? O Natal, tempos atrás, era uma festa cristã. Comia-se peru, carneiro, leitoa, essas coisas, mas isso era apenas a superfície da data. As pessoas se encontravam para reverenciar o nascimento de Cristo. Havia a Missa do Galo, realizada à meia-noite do dia 24 de dezembro, havia sermões e música sacra, havia o que se pode chamar de alegria saudável, pois se festejava com respeito o nascimento do Salvador.

Depois veio a esperteza dos comerciantes e Natal sem presentes tornou-se coisa de gente pobre. Deus que me livre de pensarem que não posso dar um presentinho, que seja! E presente onde é que se compra? Nas lojas deles, é claro. E o caráter religioso da data foi dando lugar a um mesquinho espírito comercial. Mas a coisa não parou aí. Como é data de encontro, e de alegria, a música sacra também desapareceu do cenário. Em seu lugar, pagode, música sertaneja, música picante, cheia de malícia (coisas que antigamente se chamavam de pecaminosas). Mudou a árvore. A árvore era uma araucária, que indicava para o verde da esperança, mas também fazia a ligação do presépio com a cruz de Cristo através dos espinhos. Hoje a árvore de Natal vem pronta.

Mudou o tempo. Hoje as vitrines começam e anunciar o Natal no início de novembro, depois de finados. Mudaram os presentes. No passado, eles realmente eram uma surpresa. Hoje se recebe presente quase todo dia. Mudou a celebração. No passado, o centro do Natal era a lembrança do nascimento de Jesus. Hoje o que conta mesmo é arrebentar o papel de presente e, depois de aberto, cada um festejar do seu jeito. Não vejo luzes! Talvez a conta de energia elétrica tenha prejudicado o uso do pisca-pisca. Não vejo cores! No vai e vem de carros, o cinza das ruas e as fachadas das casas continuam as mesmas. Não ouço mais a minha tia falar que vai à Missa do Galo. Não ouço sinos e músicas natalinas, pois em outras épocas Simone e seu “Então é Natal” já teria tocado repetidas vezes nas portas das lojas.

Vejo apenas prateleiras repletas de panetone, árvores de Natal encalhadas, selfies na decoração dos shoppings na capital, o povo reclamando que a ceia está cara, o Carnaval dando as caras. Pensando bem, a única diferença do Natal para o Carnaval é a fantasia. No Carnaval ninguém se veste de Papai-Noel. Pelo menos por enquanto.

Mas o que é mesmo o Natal? Será ele o nascimento de Cristo? O Papai Noel da barba postiça a distribuir presentes nas comunidades carentes? O abraço que não dei o ano todo? O banquete que quero preparar, mas estou com a grana curta? A rabanada que só a avó sabe fazer? O presente ou a lembrancinha? A reflexão sobre o que eu fui o que sou e o que deveria ser? O mundo virado do avesso? Eu parada na vitrine a olhar os enfeites como se fosse uma criança? O menino de short sujo tentando despertar o espírito natalino em troca de moedas no semáforo? Hoje somos apenas adultos e mini adultos que cumprem o ritual de uma data do calendário. Que compram presentes; comem peru; bebem cerveja; trocam abraços; dormem e, no outro dia, comem o que sobrou da noite em que todos vestiram roupas novas para comemorar (o quê mesmo?).

FELIZ NATAL DE CRISTO a todas as leitoras e leitores da Coluna VOU FALAR!

 Tô Sabendo e Vou Falar!
Aaron Fênix

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