Fato Real
Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix Gerais

Dia dos Namorados

Namorar é um estado de espírito. É olhar com olhos de “cachorrinho sem dono” pedindo colo. É sair por aí pulando de alegria. É fazer vozinha de neném para ser carinhoso. É ser ridiculamente meloso e conscientemente sedutor. Namorar é bom, e porque envolve carinho e cumplicidade sem a pesada responsabilidade de casais casados e com a certeza de que amanhã o telefone vai tocar, coisa que os “ficantes” nunca sabem…

O Dia dos Namorados é certamente mais uma data comercial, mas se pensarmos bem tem uma certa utilidade prática entre os adolescentes. Nos dias dos namorados muitas pessoas descobrem que estão namorando e isto se torna o acontecimento do ano. Ou, os menos afortunados, descobrem que não. Só no Dia dos Namorados se curte de verdade poesia, chocolate e bichinho de pelúcia. Nos outros dias nenhuma música romântica é tão bem-vinda. Se a gente olhar direitinho, nem os passarinhos cantam com tanta alegria.

Namorar tem gosto de brincadeira, é divertido. É como tomar sundae todos os dias e nunca ficar resfriado. É beijo com sabor de hortelã. É pescoço perfumado. É passear de mãos dadas. É falar horas e horas ao telefone. É escrever juras eternas… Pensando no sentimento gostoso que nos invade em dias assim tenho vontade de declarar um dia dos namorados a cada mês, talvez toda semana. A mais importante comemoração é deixar o coração aberto para voltar a ser criança e agir livremente. E por que não dizer “eu te amo”? Uma demonstração de amor vale mais do que uma declaração, mas é importante declarar. É importante expressar o que se sente, desde que o sentimento venha mesmo do coração.

O Dia dos Namorados tornou-se um desafio ao amor. Um tsunami que ganha força em meio a ondas de selfies e declarações egocêntricas de paixão eterna; tiradas publicitárias; presentes caros demais. Uma competição para ver quem ama mais e melhor. Qual declaração dá mais audiência. Sou saudosista! Como era bom no meu tempo de moleque, em que o Dia dos Namorados era uma longa carta manuscrita, uma lágrima solitária, um botão de rosa. Às vezes, flores colhidas na rua. Mas quando vejo o amor-ostentação dos amigos de facebook eu, envergonhado, lembro de um bilhete escrito por Mário Quintana. “Se tu me amas, ama-me baixinho / Não o grites de cima dos telhados / Deixa em paz os passarinhos / Deixa em paz a mim! / Se me queres, / enfim, / tem de ser bem devagarinho, Amada, / que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

Tô Sabendo e Vou Falar!
 Aaron Fênix

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